Nova tecnologia desenvolvida pela Evonik busca facilitar a remoção de tintas durante a reciclagem de embalagens flexíveis e reforça a importância do design para reciclagem
Quando se fala em reciclagem de embalagens, é comum pensar primeiro em coleta, separação e reaproveitamento dos materiais. Mas existe outro fator que também pode influenciar a qualidade do material reciclado: a tinta utilizada na impressão.
Uma nova tecnologia desenvolvida pela Evonik chama atenção justamente por atuar nessa etapa. O TEGO® Res 1100, um co-ligante utilizado em tintas de impressão à base de solvente, foi desenvolvido para melhorar o processo de deinking — técnica utilizada para remover as tintas das embalagens durante a reciclagem.
A solução recebeu o German Packaging Award 2026, na categoria Sustentabilidade. O projeto foi desenvolvido em colaboração com a Constantia Flexibles, empresa especializada em embalagens flexíveis, que realizou testes utilizando diferentes estruturas de laminados.
O que é o processo de deinking?
O termo deinking pode ser traduzido como remoção de tinta. No contexto das embalagens flexíveis, trata-se de uma etapa importante para reduzir a presença de tintas no material que será reciclado.
A proposta do TEGO® Res 1100 é justamente facilitar essa remoção durante o processo de reciclagem mecânica. Segundo a Evonik e a Constantia Flexibles, a tecnologia pode ser incorporada aos sistemas de tinta existentes sem exigir alterações na estrutura da embalagem ou no processo de impressão.
Isso abre espaço para uma discussão cada vez mais importante no setor: não basta pensar apenas em como uma embalagem será produzida. Também é necessário considerar o que acontecerá com ela depois do consumo.
Impressão e reciclagem cada vez mais conectadas
No desenvolvimento realizado pelas empresas, foi utilizado o EcoLamPlus, um laminado monomaterial de polietileno (PE) desenvolvido para aplicações que exigem barreira contra oxigênio e vapor d'água.
O material recebeu impressão com tinta branca formulada com TEGO® Res 1100 para avaliar o comportamento da tinta durante a reciclagem mecânica.
De acordo com os testes apresentados pela Constantia Flexibles, características importantes da embalagem, como imprimibilidade, aderência da tinta, desempenho de selagem e resistência à abrasão, foram mantidas.
O resultado mostra que sustentabilidade e desempenho de impressão não precisam necessariamente ser tratados como questões isoladas. O desenvolvimento de novas soluções busca justamente conciliar as características necessárias para uma embalagem funcional com requisitos relacionados à sua reciclagem.
Por que isso importa para as embalagens flexíveis?
As embalagens flexíveis estão presentes em uma grande variedade de produtos e dependem de diferentes combinações de filmes, tintas, adesivos, barreiras e processos de impressão para alcançar o desempenho necessário.
Por isso, pensar em design para reciclagem significa olhar para a embalagem como um sistema completo.
O substrato utilizado, a estrutura do laminado, as tintas, os adesivos e os processos de fabricação podem influenciar o comportamento da embalagem ao final de sua vida útil.
Nesse cenário, tecnologias que ajudam a melhorar a remoção das tintas podem contribuir para a obtenção de materiais reciclados de maior qualidade. A própria Constantia Flexibles destaca que materiais reciclados mais limpos podem ampliar as possibilidades de aplicações futuras.
Um movimento que vai além da tinta
O desenvolvimento do TEGO® Res 1100 representa apenas uma parte de uma transformação mais ampla na indústria de embalagens.
A busca por estruturas mais recicláveis vem estimulando investimentos em monomateriais, novos filmes, soluções de barreira, tintas e adesivos compatíveis com processos de reciclagem.
Nesse contexto, a impressão flexográfica também está inserida nessa evolução. À medida que os requisitos de sustentabilidade aumentam, a indústria precisa encontrar maneiras de manter características fundamentais como qualidade de impressão, resistência e produtividade, enquanto trabalha para tornar as embalagens mais adequadas à circularidade.
A tecnologia da Evonik e da Constantia Flexibles mostra justamente essa mudança de perspectiva: a impressão deixa de ser pensada apenas como elemento visual da embalagem e passa a fazer parte também das discussões sobre seu fim de vida.
O futuro das embalagens passa pelo design para reciclagem
A evolução das embalagens flexíveis tende a exigir uma visão cada vez mais integrada de toda a cadeia.
Não se trata apenas de escolher um material reciclável, mas de avaliar como todos os componentes da embalagem se comportam durante sua produção, utilização e reciclagem.
Nesse cenário, soluções que aproximam impressão, materiais e reciclagem podem ganhar cada vez mais espaço no desenvolvimento de novas embalagens.
O reconhecimento recebido pela Evonik no German Packaging Award 2026 reforça justamente essa tendência: inovação em embalagens não está apenas em criar novas estruturas, mas também em encontrar maneiras de fazer com que os materiais permaneçam em circulação pelo maior tempo possível.